Setembro ainda traz sol de tarde e a lareira continua tapada com a grelha decorativa, mas é exatamente agora — antes das primeiras chuvas de outubro e antes de a EDP ou a Galp anunciarem os preços do inverno — que vale a pena percorrer a casa com a mão estendida perto de janelas e portas. Não é um exagero de quem gosta de bricolage aos fins de semana. É o momento em que ainda há tempo para encomendar material, comparar preços na Leroy Merlin e na AKI, e fazer o trabalho com calma, sem estar a tapar frestas às pressas numa noite de dezembro com 6 graus lá fora.

Porque é que setembro, e não outubro
A maior parte das casas portuguesas perde calor não pelas paredes, mas pelas frestas em torno de janelas e portas — um problema que se agrava com os anos, à medida que a borracha dos caixilhos endurece e a madeira das portas antigas empena com as variações de humidade do verão. O erro mais comum é deixar esta verificação para quando o frio já apertou, quando as lojas de bricolage estão com as prateleiras de burletes meio vazias e quando qualquer instalador de caixilharia tem a agenda cheia até dezembro. Em setembro, pelo contrário, ainda se consegue marcar uma visita técnica em duas semanas e negociar preço com calma. Vale a pena olhar também para a fatura da luz do inverno passado antes de decidir o que fazer. Se o aquecimento — a lareira, o aquecedor elétrico ou a bomba de calor — disparou o consumo entre novembro e fevereiro, é provável que parte significativa desse calor tenha saído literalmente pelas frestas da porta de entrada ou pelas janelas antigas de alumínio sem corte térmico. Corrigir isso agora custa, na maioria dos casos, entre 20€ e 80€ em material — muito menos do que substituir caixilharia, e com um efeito perceptível já na primeira noite fria.
Onde a casa perde calor primeiro
Antes de comprar seja o que for, é preciso encontrar as fugas reais, não as que parecem óbvias. O método mais simples continua a ser o mais eficaz: numa tarde sem vento, passe a mão lentamente ao longo do caixilho de cada janela e do aro de cada porta exterior, com todas as luzes e ventoinhas desligadas. Uma corrente de ar fria e constante — não uma sensação vaga — indica uma fresta real. Quem prefere um teste mais visual pode segurar uma vela acesa a poucos centímetros do caixilho: a chama que se inclina ou treme de forma consistente aponta exatamente o ponto por onde o ar entra.
As zonas que ninguém verifica
Os pontos óbvios são o rodapé da porta de entrada e as bordas das janelas, mas há três zonas que a maioria das pessoas ignora por completo. A caixa do estore, sobretudo em casas com persianas de enrolar antigas, é frequentemente uma das maiores fontes de perda de calor da fachada — e quase nunca tem qualquer vedação. As tomadas elétricas em paredes exteriores deixam passar ar frio pela caixa embutida, algo fácil de resolver com um espumante isolante barato atrás da placa. E a soleira da porta que dá para a garagem ou para o quintal, muitas vezes esquecida por ser uma porta "secundária", pode ter uma fresta de um centímetro que ninguém nota porque a divisão do outro lado já não é aquecida.
Vedar janelas sem gastar uma fortuna
Para janelas com caixilho de madeira ou de alumínio sem rutura térmica — ainda muito comuns em casas construídas antes dos anos 2000 — o burlete adesivo de espuma é a solução mais rápida e mais barata. Um rolo de 5 ou 6 metros da Illbruck ou da Soudal custa entre 3€ e 6€ na Leroy Merlin ou na AKI, e a aplicação não exige ferramentas: basta limpar bem o caixilho com álcool, deixar secar e colar a tira ao longo de todo o perímetro por onde a folha da janela encosta. O truque que poucos conhecem é fechar a janela imediatamente depois de colar o burlete de um dos lados, para que a pressão molde a espuma à forma exata do encaixe antes de a cola secar por completo. Para janelas mais antigas, com folgas maiores ou perfis irregulares, o burlete em D ou em V de silicone aguenta melhor a compressão repetida ao longo dos anos e não perde a elasticidade tão depressa como a espuma simples — a Tesa vende um kit com fita e aplicador por cerca de 8€ a 12€, suficiente para duas ou três janelas de tamanho médio.
Janelas de madeira antigas: o problema do empeno
Se a casa tem janelas de madeira originais dos anos 60, 70 ou 80 — bastante comuns em bairros mais antigos de Lisboa, Porto ou Coimbra — o burlete resolve parte do problema, mas não toda. A madeira empena com a humidade do verão e do inverno, e uma folha que fechava bem em julho pode ter meio centímetro de folga em novembro. Nesses casos, antes de colar qualquer burlete, vale a pena verificar as dobradiças e os fechos: muitas vezes o problema não é falta de vedação, mas sim uma dobradiça descaída que já não deixa a folha encostar direito ao aro. Um ajuste de dobradiças com chave de fendas resolve, gratuitamente, o que um burlete mal aplicado nunca vai corrigir.
A porta de entrada é o maior ladrão de calor
Não vale a pena gastar milhares de euros a substituir janelas se a porta de entrada continuar com uma fresta de um dedo por baixo. Numa casa térrea ou num rés-do-chão, a porta principal é responsável por uma fatia desproporcional da perda de calor da divisão de entrada, precisamente porque é a abertura maior e mais usada da casa. A solução mais eficaz e mais barata é a escova de vedação para a base da porta — uma tira com cerdas de nylon ou de silicone que se aparafusa ou se cola ao longo do rodapé interior, disponível na Leroy Merlin por cerca de 8€ a 15€ consoante o comprimento e o material. Para o resto do aro da porta, o burlete adesivo de espuma funciona da mesma forma que nas janelas, mas convém escolher uma espessura maior — 9 ou 12 milímetros em vez dos 6 milímetros habituais das janelas — porque as portas exteriores costumam ter folgas maiores do que os caixilhos. Nas portas com fechadura multiponto mais recente, o problema é quase sempre a soleira, não o aro: um perfil de alumínio com escova incorporada, aparafusado ao pavimento, custa entre 15€ e 30€ e resolve de vez a corrente de ar que entra rente ao chão. Quem tem porta de madeira maciça antiga deve ainda verificar o friso vertical entre a folha e a ombreira, uma zona que os burletes genéricos de porta raramente cobrem bem.
Cuidado com o excesso de vedação
Aqui vem a parte que a maioria dos artigos sobre poupança energética não menciona.
Vedar uma casa antiga em excesso, sem manter alguma ventilação controlada, transforma o problema do frio num problema pior: humidade e bolor. As casas construídas antes da regulamentação térmica mais recente foram pensadas para "respirar" através de pequenas frestas naturais, e eliminar todas de uma vez — sobretudo em casas de banho e cozinhas sem exaustor eficaz — pode fazer subir a condensação nas paredes frias e nos cantos das janelas já no primeiro mês de inverno. A regra prática é simples: vede as frestas de janelas e portas de divisões secas como a sala e os quartos, mas mantenha ou reforce a ventilação em casas de banho e cozinha, seja através do exaustor, seja através das grelhas de ventilação que a caixilharia mais recente já traz incorporadas por exigência do regulamento de desempenho energético dos edifícios.
Quando vale a pena substituir em vez de vedar
O burlete resolve frestas, mas não resolve vidro simples nem caixilho de alumínio sem corte térmico — aí a perda de calor não é pela fresta, é pelo próprio material a conduzir frio para dentro de casa. Melhor opção nesse caso: se as janelas têm mais de 25 ou 30 anos, vidro simples e caixilho metálico sem qualquer barreira térmica, o vedante vai reduzir a corrente de ar mas não vai mudar significativamente a fatura do aquecimento. Um orçamento de substituição por janela com vidro duplo e caixilho de PVC ou alumínio com corte térmico ronda, em Portugal, entre 300€ e 600€ por unidade instalada, dependendo do tamanho e da marca — a Cortizo e a Technal são duas referências habituais nos orçamentos de caixilharia nacional.
Isto não significa substituir a casa toda de uma vez. Faz mais sentido começar pelas janelas viradas a norte ou a poente, que sofrem mais com o vento de inverno, e deixar as restantes para os anos seguintes — um plano faseado de dois ou três invernos é perfeitamente razoável e evita um investimento único de vários milhares de euros.
Lareira e chaminé: a fuga que ninguém lembra
Quem tem lareira aberta ou recuperador de calor tem, quase sempre, mais uma fonte de perda de calor que fica completamente esquecida: a chaminé, quando a lareira não está em uso. Uma chaminé aberta funciona como uma corrente de ar permanente entre o interior da sala e o exterior, mesmo com a lareira apagada há semanas. Quem tem lareira aberta tradicional deve verificar se existe uma válvula ou registo de tiragem (damper) e se este fecha bem quando a lareira não está a ser usada — muitos modelos antigos em Portugal nunca tiveram essa peça instalada. Um recuperador de calor com porta de vidro e boa vedação de fibra cerâmica resolve o problema de origem, mas é um investimento de várias centenas de euros; para quem só quer uma solução imediata, uma cortina isolante específica para chaminés, aplicada quando a lareira não está acesa, já corta grande parte dessa corrente de ar por menos de 40€. Antes do inverno é também a altura certa para marcar a limpeza da chaminé com um limpa-chaminés certificado, sobretudo se a lareira foi usada com regularidade no inverno passado — a acumulação de fuligem não só é um risco de incêndio, como reduz a eficiência da combustão e obriga a queimar mais lenha para o mesmo calor.
Um fim de semana, não mais
Todo este trabalho — testar as fugas, vedar janelas e porta de entrada, ajustar a soleira e verificar a chaminé — cabe confortavelmente num único fim de semana, mesmo numa casa com dez ou doze janelas. O investimento total em material fica, na generalidade dos casos, abaixo dos 100€, e o resultado nota-se logo na primeira noite verdadeiramente fria de outubro ou novembro: menos corrente de ar junto ao chão, o aquecedor a trabalhar menos tempo para manter a mesma temperatura, e uma fatura da luz de dezembro que não sobe tanto quanto a do ano anterior. É trabalho pouco vistoso, sem nenhuma fotografia bonita para mostrar depois — mas é provavelmente a intervenção com melhor relação custo-benefício de toda a manutenção sazonal da casa.