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Plantas em vaso no calor do verão: como evitar que cozinhem no alpendre

O calor de Junho não se combate só com mais água. Sombra, vaso de barro, cobertura morta e rega ao nascer do sol salvam as plantas da varanda.

Plantas em vaso no calor do verão: como evitar que cozinhem no alpendre

Há uma altura, lá para o meio da tarde, em que o alpendre vira uma frigideira. As folhas do manjericão murcham de repente, as hortênsias deitam-se sobre a terra como se tivessem desistido, e os vasos de barro que estão ao sol queimam ao toque. Quem tem plantas em varanda ou num pequeno quintal virado a sul conhece bem este momento de Junho e Julho, quando o termómetro passa dos 35 graus e parece que tudo o que se rega de manhã já não chega para a tarde.

O instinto é regar mais. Mas o problema raramente é a falta de água em si — é o calor que entra pelas paredes do vaso e cozinha as raízes antes que a planta consiga aproveitar fosse o que fosse. Um vaso preto de plástico ao sol direto chega facilmente aos 45 ou 50 graus na terra. Nenhuma raiz sobrevive bem a isso, por muito que se ande de regador na mão.

Onde está o sol às quatro da tarde

Antes de mexer em rega ou em adubos, vale a pena passar um dia a olhar para a sombra. A posição do sol em Junho não é a mesma de Abril: está mais alto e bate em sítios que na primavera ficavam à sombra. Aquele canto da varanda que era fresco em Maio pode estar agora em pleno sol das duas às seis da tarde, que são precisamente as horas que matam.

A solução mais barata é mover os vasos. Plantas em vaso têm uma vantagem enorme sobre as do canteiro: andam. Junte os vasos pequenos num grupo, encostados uns aos outros — assim fazem sombra mútua e a humidade que evaporam mantém um microclima entre eles. Coloque os mais sensíveis (manjericão, salsa, coentros, hortelã) atrás dos mais resistentes, à sombra das folhas maiores.

Se não houver sombra natural nenhuma, uma rede de sombreamento de 50% faz milagres. Vende-se ao metro em qualquer Aki ou Leroy Merlin por uns 3 a 5 euros o metro quadrado, e basta prendê-la com abraçadeiras a um varão ou à grade da varanda. Corta metade da radiação sem deixar a planta às escuras. Um chapéu de sol velho ou um lençol branco esticado funcionam na mesma — não é bonito, mas as raízes não querem saber da estética.

O vaso importa mais do que a planta

Aqui vai uma opinião que vai contra o que se vê nas montras: esqueça os vasos pretos de plástico no verão. Absorvem calor como um radiador. O barro tradicional, esse que se vende em qualquer feira por 2 ou 3 euros o vaso médio, é poroso e respira — a água que se evapora pelas paredes arrefece a terra lá dentro, tal como um botijo arrefece a água. Custa menos, dura anos e protege as raízes do choque térmico.

O senão do barro: também perde água mais depressa, por isso seca mais rápido. Para plantas que adoram calor e secura, como os gerânios, os sardinheiras ou o alecrim, é perfeito. Para um manjericão sedento, talvez prefira um vaso de barro mas maior, porque um volume maior de terra aquece e seca mais devagar do que um vasinho minúsculo.

E há o truque do vaso dentro do vaso: meta o vaso de plástico (se já o tem) dentro de um cesto ou de um vaso maior de barro, e encha o espaço entre os dois com terra ou casca de pinheiro húmida. Funciona como uma parede dupla e baixa a temperatura das raízes vários graus.

Cobrir a terra é meio caminho andado

A terra nua ao sol é o erro mais comum das varandas portuguesas. Sem nada por cima, a água evapora-se em poucas horas e a superfície ganha aquela crosta dura por onde a rega seguinte escorre sem entrar. A resposta chama-se cobertura morta, ou mulch, e é das coisas mais úteis que se pode fazer num quarto de hora.

  • Casca de pinheiro: a clássica, bonita, vende-se em saco por 4 a 6 euros e dura toda a estação.
  • Aparas de relva secas do próprio quintal — de graça, e funcionam tão bem como qualquer coisa comprada, desde que as deixe secar primeiro para não criarem bolor.
  • Cascalho claro ou seixo, sobretudo para suculentas e cato, porque reflete a luz em vez de a absorver.
  • Até folhas secas servem num aperto, embora se desfaçam mais depressa.

Espalhe uma camada de dois a três dedos por cima da terra, deixando um pequeno espaço à volta do caule para não apodrecer. Reduz a evaporação para quase metade e mantém a terra fresca. Quem tem uma horta em vasos vai notar que passa a regar de dois em dois dias o que antes pedia rega diária.

Regar de manhã cedo, e regar a sério

Regar ao meio-dia com o sol a pino é desperdiçar água e, pior, arriscar queimar as folhas — as gotas funcionam como pequenas lentes. A melhor hora é antes das oito da manhã: a planta enche-se de água para enfrentar o dia e a terra fica fresca antes de o calor apertar. Regar à noite também serve, mas em zonas húmidas pode favorecer fungos e lesmas.

Quando regar, regue até a água sair pelos furos do fundo. Uma rega curta e frequente só molha a superfície e ensina as raízes a ficarem à tona, onde o calor as apanha primeiro. Uma rega bem feita, mais espaçada, leva a humidade ao fundo e obriga as raízes a descerem para o frescor. Se a terra do vaso já secou tanto que se afastou das paredes, mergulhe o vaso inteiro num alguidar com água durante dez minutos até parar de fazer bolhas — uma rega por cima, nesse estado, escorre toda pelas laterais sem molhar nada.

Vai-se de férias quinze dias em Agosto? Não confie em pedir ao vizinho que regue de vez em quando. Agrupe tudo à sombra, ponha uma garrafa de plástico cheia de água virada ao contrário enterrada em cada vaso grande, e cubra a terra com mulch. Manjericão num vaso de barro à sombra, com a garrafa e a cobertura, aguenta uma semana de calor sem ninguém. Em pleno sol e em plástico preto, não passa do segundo dia.