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Tesoura na mão: o que a horta pede em pleno Julho

Desladroar tomateiros, controlar a mosca-branca sem inseticida e decidir o que fazer à relva: o guia honesto para o quintal em pleno calor de Julho.

Tesoura na mão: o que a horta pede em pleno Julho
Tomateiros carregados numa horta de quintal sob o sol de Verão
Os rebentos nas axilas — os "ladrões" — saem com um estalo limpo de manhã cedo.

No início de Julho, quem tem horta no quintal vive sempre o mesmo dilema: ou os tomateiros disparam para o céu e dão sombra a tudo o resto, ou ficam carregados de folhas e teimam em não dar fruto. A diferença raramente está na rega. Está naquilo que se faz — ou não se faz — nas primeiras semanas de calor a sério, quando a planta decide se gasta a energia a crescer ou a produzir. E essa decisão tomamo-la nós, com a tesoura na mão.

O que a horta pede em pleno Verão

Os tomateiros indeterminados, que são a maioria dos que se vendem em vaso nas superfícies como o Leroy Merlin ou o AKI, lançam rebentos nas axilas das folhas — os famosos "ladrões". Se os deixar todos, a planta transforma-se num arbusto frondoso que dá imensa folha e pouco tomate maduro até Setembro. Tire-os com os dedos, de manhã cedo, quando ainda têm dois ou três centímetros e saem com um estalo limpo. Deixe a ferida secar ao sol em vez de a molhar logo a seguir, porque é por aí que entra a doença.

Com o pimento e a beringela a lógica inverte-se. Estas plantas não se desladroam — pelo contrário, agradecem que se tire alguma folha mais baixa para arejar a base e que se mantenha o solo coberto com palha ou folhas secas. A diferença entre um canteiro produtivo e um que estiola em Agosto está quase sempre nesta camada de cobertura, que mantém a humidade e poupa-lhe metade das regas num mês em que cada rega conta.

Os erros que se pagam em Agosto

  • Regar as folhas ao fim da tarde — a água que fica na folhagem durante a noite quente é o convite perfeito para o míldio.
  • Adubar a torto e a direito com fertilizante rico em azoto, que dá folha verde e bonita e atrasa a frutificação semanas a fio.
  • Deixar a fruta madura na planta "para ficar mais doce" — o pessegueiro e a figueira respondem a isso atraindo vespas e abrandando a produção seguinte; colha à medida que amadurece, e colha mesmo.

A guerra silenciosa dos bichos

É agora que aparecem. A mosca-branca instala-se por baixo das folhas e, quando se mexe na planta, levanta voo como uma nuvenzinha. O pulgão concentra-se nos rebentos novos e nas roseiras. A tentação é correr para o inseticida, mas em Portugal há uma solução mais barata e que não lhe queima as abelhas: uma calda de sabão potássico diluído, pulverizada ao fim da tarde, resolve a maioria das infestações ligeiras sem deixar resíduo na fruta que vai comer.

Há um senão honesto nisto. O sabão potássico funciona por contacto, o que significa que tem de molhar mesmo o bicho — não basta borrifar a planta por cima e ir-se embora. E não toca nos ovos. Por isso repete-se de cinco em cinco dias, três vezes, antes de a coisa estar realmente controlada. Quem espera milagre de uma só pulverização desiste a meio e culpa o método.

O quintal para lá da horta

A relva pede-lhe a decisão mais incómoda do Verão português: ou aceita que vai amarelecer e fica assim, ou compromete-se com uma rega regular e cara que num quintal médio facilmente acrescenta vinte ou trinta euros à factura mensal da água. A verdade desconfortável é que a relva não morre por ficar dourada em Agosto — entra em dormência e ressuscita com as primeiras chuvas de Outubro. Corte-a alta, deixe-a aos cinco ou seis centímetros, e a própria sombra das ervas protege a raiz.

Nas sebes e nos arbustos, Julho é mau mês para podas severas. O sol bate em ramos que estavam habituados à sombra das folhas e queima-os em dois dias. Se tem de aparar uma sebe de buxo ou de cipreste, faça-o num dia encoberto ou logo ao nascer do sol, e nunca rape mais de um terço de uma vez.

O figo da primeira colheita está a chegar nas zonas mais quentes do Alentejo e do Algarve, mais cedo do que no Norte. Apanhe-o quando o pé do fruto verga e a pele racha de leve — esperar mais um dia é, mais vezes do que parece, perder o figo para os melros.