eficiência energética

Ar Condicionado em Agosto: Quanto Custa Por Dia e Como Poupar na Fatura da Luz

Com a EDP a cobrar 0,1420 €/kWh na tarifa mais barata de agosto de 2026, calculamos quanto custa realmente usar o ar condicionado por dia — e que hábitos, na casa e no quintal, cortam a fatura sem abdicar do conforto.

Ar Condicionado em Agosto: Quanto Custa Por Dia e Como Poupar na Fatura da Luz

São três da tarde, o termómetro na varanda marca 34°C e o comando do ar condicionado está pousado em cima da mesa da sala. Ligá-lo ou não ligá-lo — eis a pergunta que se repete em milhares de casas portuguesas todas as tardes de agosto, normalmente seguida de um cálculo mental apressado sobre quanto isso vai custar no fim do mês. A resposta, feita com números reais e não com impressões, incomoda um pouco mais do que se pensa, mas também revela margem de poupança que a maioria das casas ainda não está a aproveitar.

Quanto custa realmente uma tarde com o ar condicionado ligado

Em agosto de 2026, a tarifa de eletricidade mais barata da EDP no mercado livre — a Eletricidade Verde DD+FE, com desconto de 15% — fica em 0,1420 €/kWh para clientes do tipo 2. Quem ainda está no mercado regulado, agora sob a marca SU Eletricidade, vai ver a fatura subir cerca de 1% em 2026, segundo a proposta da ERSE, o que torna a comparação de tarifários ainda mais relevante neste verão do que em anos anteriores. Um pequeno cálculo ajuda a perceber a dimensão do problema: um split de 12 000 BTU com tecnologia inverter e classe energética A+++ consome, em regime de arrefecimento eficiente, entre 900 W e 1,2 kW por hora de funcionamento contínuo, ou seja, aproximadamente 1 kWh por hora, dependendo da temperatura exterior e da regulação escolhida no termóstato. À tarifa mais barata da EDP, isso equivale a cerca de 0,14 € por hora de funcionamento. Parece pouco, até multiplicares por seis ou oito horas de uso diário durante uma vaga de calor: entre 0,85 € e 1,15 € por dia, ou seja, algo entre 25 € e 35 € num mês inteiro de agosto usado sem grandes cuidados. E isto é só o aparelho — a fatura final soma-se ao resto da casa, frigorífico, máquinas e iluminação incluídos, que em agosto também trabalham mais do que em qualquer outro mês do ano.

Fazendo as contas, a resposta incomoda mais do que se pensa.

Portátil ou split: a diferença que a fatura mostra

Quem ainda hesita entre um aparelho portátil e um split fixo deve saber que a diferença de eficiência não é um pormenor técnico — é o dobro do consumo para o mesmo resultado. Um ar condicionado portátil expulsa o ar quente através de uma mangueira ligada a uma janela, e essa mangueira cria pressão negativa dentro da divisão, puxando ar quente do exterior pelas frestas para compensar. Na prática, um portátil de 9000 BTU pode consumir tanto ou mais do que um split de 12000 BTU, precisamente porque perde metade da eficiência a lutar contra o próprio ar que deixa entrar. Para uso ocasional, num quarto de hóspedes durante duas semanas de calor, o portátil ainda compensa pelo preço de compra mais baixo e pela instalação inexistente. Para uso diário durante todo o verão, o split fixo é claramente a melhor escolha — a poupança na fatura ao longo de duas ou três estações paga a diferença do investimento inicial e da instalação por um técnico certificado. Marcas como Daikin, LG e Mitsubishi Electric dominam as prateleiras de lojas como a Worten e a Leroy Merlin em Portugal, e o preço de compra mais alto de um split certificado costuma refletir-se diretamente numa etiqueta energética melhor, não apenas num nome mais conhecido.

A etiqueta energética que ninguém lê antes de comprar

A diferença entre um aparelho de classe A e um de classe D pode duplicar essa conta. Desde março de 2021, a União Europeia reformulou a escala de etiquetagem energética — que hoje vai de A a G, mais rigorosa do que a antiga escala A+++ a D — precisamente porque a maioria dos equipamentos domésticos já se concentrava nas classes superiores e a escala tinha deixado de distinguir bem os aparelhos mais eficientes. Um ar condicionado com classificação D ou E no arrefecimento pode consumir 40% a 60% mais energia do que um equivalente em BTU mas de classe A, para produzir exatamente o mesmo frio numa divisão do mesmo tamanho.

Compra sempre pela etiqueta, não pelo preço de tabela. Um aparelho mais barato na loja, mas de classe energética inferior, acaba por custar mais ao fim de dois ou três verões — e isso não é opinião, é aritmética simples sobre o consumo acumulado.

Cinco hábitos que cortam a fatura sem desligar o aparelho

Não é preciso viver com calor para poupar. Há um conjunto de práticas simples, recomendadas por especialistas em eficiência energética consultados este verão, que reduzem o consumo sem sacrificar o conforto:

  • Arejar a casa ao final do dia, quando a temperatura exterior desce abaixo da interior — isto reduz a necessidade de arrefecimento intensivo nas primeiras horas da manhã seguinte.
  • Regular o termóstato para 25-26°C em vez de 20-21°C: cada grau a menos representa, em média, mais 6% a 8% de consumo elétrico, segundo estimativas do setor.
  • Fechar persianas e estores durante as horas de sol direto, sobretudo em fachadas viradas a sul e poente.
  • Evitar equipamentos em stand-by e usar a máquina de lavar roupa e a máquina de lavar loiça sempre à capacidade máxima, porque o consumo de base da casa soma-se ao do ar condicionado na mesma fatura.
  • Trocar iluminação incandescente ou halogéneo por LED, que aquece muito menos a divisão e reduz a carga térmica que o ar condicionado depois tem de compensar.

Nenhuma destas medidas, isoladamente, muda muito a fatura. Juntas, ao longo de um mês inteiro de calor, podem representar uma diferença de 15 a 20 euros — o suficiente para pagar uma manutenção anual ao aparelho, que aliás prolonga a vida útil e mantém a eficiência declarada na etiqueta.

Há ainda dois pormenores que quase ninguém verifica: o filtro e a unidade exterior. Um filtro sujo obriga o compressor a trabalhar mais para mover o mesmo volume de ar, o que pode aumentar o consumo em cerca de 10% a 15% — e limpá-lo leva cinco minutos, sem ferramentas nem técnico. A unidade exterior, por sua vez, funciona com mais eficiência quando está protegida do sol direto: um pequeno toldo ou a colocação da unidade num local sombreado da fachada reduz a temperatura do ar que o compressor tem de arrefecer antes de o injetar dentro de casa.

O jardim e o quintal também ajudam a arrefecer a casa

Quem tem quintal ou pátio tem uma vantagem que os apartamentos urbanos não têm: a possibilidade de reduzir a carga térmica da casa antes mesmo de o ar condicionado entrar em ação. Toldos e estores exteriores bloqueiam até 70% do calor solar antes de este atingir o vidro, o que é muito mais eficaz do que qualquer cortina interior, porque a diferença está em impedir que o calor entre, em vez de tentar geri-lo depois de já estar lá dentro. Vegetação de folha caduca junto às fachadas viradas a poente, como uma videira em pérgola ou uma trepadeira sobre uma treliça, dá sombra no verão e deixa passar o sol no inverno, quando as folhas caem. Não é um investimento que resolve o problema este mês, leva uma ou duas estações a crescer o suficiente, mas para quem planeia ficar na casa vários anos é a solução mais barata a longo prazo, sem consumo elétrico nenhum associado. Regar o relvado e os canteiros ao início da manhã, em vez de ao fim da tarde, também ajuda indiretamente: o solo húmido absorve calor durante o dia em vez de o refletir para dentro de casa através das janelas viradas ao quintal, e a evaporação da água contribui para arrefecer ligeiramente o ar à volta da fachada.

Vale a pena mudar de tarifário antes do verão acabar

A EDP Comercial já confirmou uma descida de 4% na fatura de clientes domésticos e de 5% para pequenos negócios a partir de janeiro de 2026, mas isso não ajuda quem está a pagar a mais agora, em pleno pico de consumo de verão. Comparar tarifários entre fornecedores — EDP, Galp, Iberdrola, Endesa, Plenitude, entre outros — demora vinte minutos num comparador independente como o ComparaJá e pode compensar mais do que qualquer hábito de poupança isolado, precisamente porque atua sobre o preço por kWh e não apenas sobre o consumo. Para quem tem horários regulares em casa — trabalho remoto de manhã, ar condicionado ligado à noite para dormir — vale ainda a pena avaliar um tarifário bi-horário, que cobra menos entre as 22h e as 8h: quem usa o ar condicionado sobretudo para dormir com a casa já pré-arrefecida pode beneficiar diretamente dessa diferença de preço.

Isto não significa exagerar no sentido contrário. Desligar o ar condicionado às 22h para poupar meia dúzia de cêntimos, numa noite tropical em que não se consegue dormir com 28°C dentro de casa, não compensa em saúde nem em produtividade no dia seguinte, sobretudo para crianças pequenas, idosos ou pessoas com problemas respiratórios, para quem as noites tropicais representam um risco real, não apenas um desconforto. A poupança inteligente está em reduzir o desperdício evitável, não em sofrer calor por sistema.

Mudar de tarifário, escolher bem a classe energética no momento da compra e usar sombra exterior antes de ligar qualquer aparelho — essa combinação, e não um único gesto isolado, é o que realmente separa uma fatura de agosto controlada de uma fatura de agosto que assusta quando chega ao email.